quarta-feira, 6 de abril de 2011

Moda-arte, arte-moda, moda-arte-design





Olhe bem para as fotos deste post: você teria coragem de usar esses sapatos? Ou acha que eles são conceituais demais? Seja qual for a opção, ninguém há de discordar que eles são de uma criatividade imensa. Trabalhos do designer israelense Kobi Levi.




Formado em 2001 pela Bezalel Academy of Art & Design, em Jerusalém, Kobi  se especializou em design e confecção de calçados. Assim ele define o seu trabalho: "No meu design artístico de sapatos, o próprio calçado é a minha tela. O gatilho para criar uma nova peça surge quando uma ideia, um conceito e / ou uma imagem vem à mente. A combinação da imagem com o calçado cria um novo híbrido, e o projeto / conceito vem à vida. A peça é uma escultura que se pode usar. Ela está viva, com ou sem o pé".





Não são incríveis?


quinta-feira, 31 de março de 2011

Formas, delicadeza e feminilidade



Na mesma matéria em que conheci a gracinha da Pitty Rebelo, conheci também outro designer de joias de Niterói que faz um trabalho incrível. É o Stefano di Pastena, que preza pelas linhas orgânicas e por joias contemporâneas.



Stefano começou sua carreira em 1994, quando fez um estágio na cidade de Perugia, na Itália. Lá, ele forjou suas primeiras peças, em ouro, prata e em materiais alternativos, como murano e até latão. O designer diz que procura fugir da rigidez geométrica, ao mesmo tempo em que explora a simetria de formas e movimentos. E que, em seu processo criativo, ele tenta não pensar na joia, seja qual for, pronta. Stefano conta que trabalha livremente nas formas e movimentos para, então, desenvolver as reais possibilidades de execução e uso da peça.



Atualmente, o trabalho de Pastena vem abordando as silhuetas humanas, como os pingentes com figuras de bailarinas, que têm formas harmônicas e equilibradas.






O designer produz suas joias num charmoso ateliê no Jardim Icaraí, onde atende com hora marcada.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Moda com sotaque regional (no melhor sentido)


Tenho um pé bem atrás com roupas com uma cara muito "regional". Talvez porque, com tantos bordados,  muitas vezes o acabamento deixa bastante a desejar. Mas conheci a Katmos, grife de Governador Valadares (MG) que me surpreendeu com uma moda com sotaque regional nada amador. Para a coleção outono-inverno, o tema escolhido foi "Em cada canto um conto", inspirado na literatura de cordel.




Festas e costumes populares nordestinos serviram de norte para criar peças com aplicações que rememoram bordados de almofadas, bandeirolas comemorativas, tecelagem de redes de pesca e rendas de algodão. Cavas retas e silhuetas "confort" em vestidos, batas e camisas são obtidos através da desconstrução da alfaiataria.
 Na cartela de cores, a marca apresenta tons secos de rosas e violaces, além de branco, bege, cru, vermelho e laranja.



Mas o mais charmoso é a estamparia, que remete às ilustrações monocromáticas em xilogravura. Inúmeros rostos foram desenhados, lembrando os tantos tipos que povoam o sertão. Há ainda árvores secas e pássaros.  Formas geométricas também estão em muitas peças da coleção.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Caminho inverso

Como jornalista, recebo muitos releases, sugestões, e-mails e correspondências todos os dias. Nem sempre dá tempo de analisar tudo com a atenção que eu gostaria. Na maioria das vezes, quando chega um  material e vejo que não diz respeito ao caderno que estou fazendo, passo adiante sem maior dor na consciência. Mas hoje recebi o folder de uma exposição e, por um acaso estando num dia mais tranquilo, decidi dar uma espiada. A expo, chamada "“Com quem você tem bordado?”, é do artista mineiro Rodrigo Mogiz. E fiquei muito contente de ter parado pra ver o material.




Natural de Belo Horizonte , onde vive e trabalha, o artista de 33 anos expressa suas ideias através da milenar arte do bordado. Rodrigo borda sobre folhas de entretela, que, com a sua semitransparência, velam figuras propositalmente escondidas. São camadas como em uma pintura convencional, apesar de o artista também fazer uso da tinta em alguns pontos do trabalho. É um jogo de mostrar e esconder e de criar contrapontos, mas que também propõe que essas figuras estabeleçam suas relações e seus diálogos.



A técnica que Rodrigo utiliza está ligada à moda, ao feminino e ao artesanato doméstico, para representar temáticas não convencionais a esse ato de bordar, como o conflito humano com a sexualidade, a afetividade, a violência. As figuras são retiradas de revistas de moda e tratam da sensualidade de diferentes formas.



As figuras e a temática escolhidas pelo artista, é claro, me chamaram a atenção. Logo pensei no caminho inverso que ele traçou: ver a arte na moda é lugar-comum, mas a moda na arte já nem tanto. Amei a delicadeza do trabalho e sua multiplicidade de significados.


A exposição é gratuita e está na Galeria de Arte Ibeu, na Av. Nossa Senhora de Copacabana 690, 2º andar. A mostra fica em cartaz de 24 de março a 6 de maio, com visitação de segunda a sexta, das 13h às 19h.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Amada prata

Sempre gostei muito mais de prata do que de ouro amarelo. Mais discreta, mais versátil, mais adequada para o dia e para o dia a dia. Pois faz pouco conheci a Pratamada, grife de joias da designer Pitty Rebelo. Em Niterói! Gente, que coisas mais lindas a Pitty cria. Ganhei dela o brinco Torção, uma meia espiral estilizada (esse da foto logo abaixo). E confesso, uso-o semana sim, a outra também.


O brinco Torção dá bem uma ideia do trabalho de Pitty: joias que passam a sensação de movimento. E, na coleção atual da designer, intitulada "Apaixone-se", ela mescla a prata à resina colorida, num efeito super contemporâneo e alegre. As formas de coração dão o tom deste trabalho em aneis, pingentes e brincos.








Pitty se formou fonoaudióloga, mas a primeira oportunidade de trabalho que teve foi na joalheria de Antonio Bernardo, onde passou a ocupar o cargo de gerente da oficina de atendimento ao cliente. No setor, se fazia consertos em peças e encomendas especiais. E assim ela pôde ter contato direto com os ourives e aprendeu todo o processo. Pitty conta que como desde criança sempre teve muita habilidade para trabalhos manuais, achou que conseguiria fazer ela mesma algumas joias. Comprou uma banca de trabalho e começou a produzir
algumas peças em casa. Sorte a nossa, que agora podemos usar as lindas criações dela. Criações, aliás, artesanais, já que a designer não tem uma produção em larga escala.






A Pratamada, por sua vez, nasceu há dois anos, quando Pitty começou a trabalhar exclusivamente com o material. Alguém duvida que esta moça vai longe?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Para mulheres bem "mulherzinhas"





Há menos de um mês fui fazer uma matéria sobre grifes da Barra que estavam participando das feiras de moda. E tive o prazer de conhecer a Giulietta, marca novinha em folha (tem apenas um ano e meio), comandada pelas sócias e estilistas Priscila Barcelos e Rosa Duarte. O estilo das roupas é bastante romântico, prezando sempre ressaltar as formas da mulher, com peças cinturadas e ombros marcados. Ou seja, roupas bem "mulherzinha", no melhor sentido que a palavra pode ter.




Apesar de novata, a Giulietta acaba de fazer sua quarta participação no Fashion Business, realizado hás duas semanas na Marina da Glória, paralelamente ao Fashion Rio. A grife foi uma das escolhidas pela organização para desfilar no evento (olha aí uma prova de que a Giulietta está com tudo e não está prosa) e mostrou a coleção de inverno 2011, que teve como mote a aviação e trouxe estampas de aviões monomotores e corujas.  Nem preciso dizer nada, as fotos deste post falam por si. Um charme só, na minha opinião.






A Giulietta tem sede e showroom na Barrinha e vende suas criações em 56 multimarcas Brasil afora. Infelizmente, nenhuma aqui  no Rio. Mas não precisamos ficar tristes: a marca tem planos de abrir sua primeira loja própria, provavelmente em Ipanema, no início do ano que vem. E, apenas para as amigas, dou com exclusividade o telefone de lá para agendar uma comprinha travestida de visita.  Alguém quer?




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Repaginada




Comprei uma espadrile há um tempo e, quando minha mãe bateu os olhos nela, disse: "ué, tá de alpargata? Quando eu era criança comprava-se isso no armazém, e era sapato de gente pobre". Pois é, vivendo e aprendendo, descobri que o hit do verão já foi sapato de gente pobre... Pois repaginada e com nome mais interessante, a boa e velha alpargata mostra todo o seu charme em diversas versões: fechadinha, anabela, sapatilha... Para quem ainda não sabe do que falamos, a espadrile é aquele sapatinho cuja sola é feita de cânhamo ou juta. Olhe as fotos, o solado parece feito de corda. E o acabamento geralmente é de pano ou lona. "Ah sim", você deve estar pensando agora. A espadrile está dando as caras nas vitrines de muitas lojas nesta estação. Uma editora do Globo tem uma preta com caveirinhas brancas, feminina e rock´n´roll. Eu amei as da Richards, peep toe e de amarrar no tornozelo. Tem para todos os gostos. E combina com short, bermuda, vestido...




Mas descobri que é em São Paulo que muitas dessas lojas mandam fazer suas espadriles. A fábrica se chama Cervera Alpargateria (www.cervera.com.br) e foi fundada em 1954 pela família Iaconelli, que desejava reproduzir fielmente os calçados feitos na região de Cervera Del Rio Alhama – La Rioja, na Espanha, desde o século XIX.

O legal é que a Cervera também tem produção e algumas lojas próprias (três em São Paulo e uma em Recife). Ah, há também modelos masculinos, pares perfeitos para bermudas de linho ou de algodão. Super chique um passeio na praia assim. Todas as fotos deste post são de modelos da marca.





 
Então, corra para incluir a espadrile no seu armário antes que o verão acabe.